Sony quer acabar com a pirataria nos consoles usando jogos em nuvem

A Sony criou uma patente de jogos em nuvem para acabar com a pirataria. O sistema promete até mesmo reduzir o preço final de consoles já que o “os mecanismos de segurança utilizados em praticamente todos os principais sistemas de videogame foram 'quebrados' ao longo dos anos, resultando na cópia não autorizada de jogos”, disse a Sony no documento publicado pelo TorrentFreak.

Ao longo da patente de mais de 100 páginas, a Sony destaca que quer a "eliminação da pirataria”, literalmente. “[Jogos] não podem mais ser pirateados como são hoje. Como cada jogo é armazenado e executado no serviço de hospedagem, os usuários não têm acesso ao código do programa subjacente, portanto, não há nada para piratear", diz a empresa no documento. Acrescenta ainda que mesmo que o jogador copie o código-fonte, ele não rodaria no PlayStation 4, PlayStation 5 ou PC.

Parte da patente da Sony (Imagem:Reprodução/TorrentFreak)

A empresa nota, no entanto, que o alto valor dos consoles — o PlayStation 4 a partir de R$ 2.700 e o PS5 a partir de R$ 4.200 — e dos jogos — lançados a R$ 300 — ainda não melhoram a situação de compra, mesmo se a distribuição irregular dos títulos for interrompida. “Em muitas partes do mundo, o custo de um console de videogame é uma porcentagem tão alta da receita que, mesmo que a pirataria fosse controlada, poucas pessoas poderiam pagar por um sistema de jogo de última geração”, escreve a Sony.

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Com os jogos em nuvem, esse problema pode até ser remediado. A patente sugere que não será preciso ter o novíssimo console do mercado para aproveitar as novidades, e até mesmo será possível curti-los em qualquer aparelho conectado, e até mesmo em plataformas concorrentes. Já pensou jogar God of War em um Switch?

Em 2015, a Sony adquiriu a plataforma OnLive e a transformou no Playstation Now. O serviço é uma assinatura que oferece jogos para serem jogados por streaming, sem a necessidade do download. Logo, a possível nova tecnologia da Sony pode explorar um pouco mais da plataforma, que só está disponível na América do Norte e Europa.

Jim Ryan, CEO da Sony, disse em novembro de 2020 que um serviço parecido com o Xbox Game Pass — que oferece um catálogo frequentemente atualizado de jogos por assinatura para download — poderia chegar em breve. A patente pode ter relação com a antiga fala do líder.

Isso aqui é Brasil

Voltando no tempo, jogos pirateados de Playstation e PlayStation 2 no Brasil foram os primeiros — e quem sabe os maiores — contatos do público com os jogos. O famoso "três por R$10" nas feiras e galerias era a regra; exceção era quem não tinha um console desbloqueado. Com o avanço de jogos online e sistemas cada vez mais complexos, a pirataria começou a perder espaço.

A discussão sobre streaming de jogos em território nacional ganhou força na época do anúncio do Stadia, em 2019. Muitas discussões sobre a velocidade média da internet no Brasil e latência foram levantadas. Para experimentar jogos em sua potência máxima, sem quedas bruscas de resolução, travamentos e atrasos nos movimentos é preciso de uma internet estável mais acessível e com maior alcance. É algo que incomum para a maioria da população, principalmente as mais afastadas dos grandes centros.

A Sony nunca revelou planos de trazer o PlayStation Now ao Brasil. As maiores pistas até hoje são apenas apenas alguns aparecimentos acidentais de banners do serviço na PS Store brasileira.

Leia a matéria no Canaltech.

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