Novas missões aprovadas pela NASA estudarão o Sol e os ventos solares na Terra

Duas novas missões aprovadas pela NASA ampliarão o estudo sobre o papel do Sol no clima espacial, fornecendo aos cientistas novas ferramentas para tentar prever as erupções solares e ejeção de massa coronal. Com isso, os pesquisadores darão um passo à frente na tentativa de mitigar as consequências de uma eventual tempestade solar, que pode afetar nossa tecnologia atual e colocar em risco astronautas no espaço.

As missões serão uma colaboração internacional e utilizarão dois equipamentos principais — o Extreme Ultraviolet High-Throughput Spectroscopic Telescope Epsilon Mission (EUVST), liderado pela Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA), e o (Electrojet Zeeman Imaging Explorer (EZIE), conduzido por Jeng-Hwa (Sam) Yee, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos EUA.

EUVST

(Imagem: Reprodução/NAOJ/JAXA)

A missão EUVST Epsilon, que também conta com outros parceiros internacionais, trata-se de um telescópio que estudará como a atmosfera do Sol libera o vento solar e impulsiona as erupções de material de nossa estrela. São esses fenômenos os responsáveis diretos pelo clima espacial, influenciando as alterações da radiação em todo o Sistema Solar.

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A NASA contribuirá com esta missão fornecendo um detector de ultravioleta (UV) e componentes eletrônicos de suporte, espectrógrafo, telescópio guia, software e um sistema de imagem para fornecer contexto visual para as medições espectrográficas. O orçamento dessas contribuições é de US$ 55 milhões. Com lançamento previsto para 2026, o EUVST fará as medições espectrográficas de UV mais detalhadas de nosso Sol até o momento. Isso dará aos cientistas a possibilidade de descobrir como os mecanismos magnéticos e o plasma fazem com que a corona aqueça e impulsionam a liberação de energia.

A coroa solar é a camada mais externa da atmosfera do Sol, que se estende a milhões de km rumo ao espaço sideral. Ali, as temperaturas são superiores a um milhão de graus Celsius, ainda mais elevadas do que as registradas na superfície solar, que são de 5.500 °C. Alguns cientistas consideram que descobrir o motivo dessa alta temperatura é o “santo graal” da física solar.

EZIE

(Imagem: Reprodução/NASA)

Já o EZIE terá o papel de estudar as correntes elétricas na atmosfera da Terra, principalmente através do eletrojato auroral — uma corrente elétrica que viaja pela região da ionosfera da Terra. São dois tipos eletrojatos, um acima do equador magnético e outro perto dos círculos polares norte e sul, e eles estão ligados à magnetosfera da Terra — uma parte do campo de defesa do nosso planeta, que responde à atividade solar e outros fatores.

O índice do eletrojato auroral (AE) é usado como medida dos níveis de atividade geomagnética, mas os detalhes sobre essas correntes elétricas não são muito bem compreendidos pelos cientistas. Por isso, o EZIE será lançado em meados de 2024 para estudar esse fenômeno mais de perto, através de três CubeSats (pequenos satélites em formato cúbico).

A missão tentará descobrir a origem e as mudanças do eletrojato auroral, entre outros eventos relacionados, como a interação da magnetosfera com o vento solar, que resulta em algo chamado "cauda magnética". É verdade que esses fenômenos resultam nas auroras boreal e austral, mas eles também podem causar interferência nos sinais de rádio, além de potencialmente prejudicar redes de serviços de comunicação. O orçamento total para a missão EZIE é de US$ 53,3 milhões.

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